(Ferraz, M. 2016)
21 de março de 2016
8 de março de 2016
ser mulher
Sou mulher, sou e sempre tive muito orgulho em o ser.
Nunca olhei para um homem e me senti inferior. Pelo contrário, cresci no meio dos rapazes, joguei à bola, corri no recreio e gostava de carrinhos. Sempre preferi o subir às árvores às barbies, apesar de ter uma prateleira cheia delas. Nunca fui a típica menina que se preocupa com a maquilhagem, com os vestidos, se a mala é o mesmo tom dos sapatos, em aprender a cozinhar e a costurar. Sempre fui o género que vestia a primeira camisola que aparecesse, umas calças de ganga e que saía de casa de puxinho sem se preocupar se o "príncipe encantado" ia aparecer logo ali. E, se ele aparece ainda melhor, porque ia ver exatamente como sou e teria de me aceitar assim.
Envolvi-me sempre em projetos em que os homens eram "os lideres"... mas verdade seja dita que nunca os olhei de tal forma... nunca senti que eram melhores do que eu... talvez porque sempre me afirmei e tomei uma posição... ou porque eles eram homens de carácter e sabiam ocupar o seu lugar...
Cresci na politica, cresci a nível profissional, fiz coisas, desenvolvi projetos...meti-me sempre em tudo o que me era possível e imaginável. Defendi os meus direitos sempre (sem nunca esquecer os deveres que me competiam) e com apenas 24 anos considero que tenho um curriculum de que me orgulho e bom para a minha idade. Mas tudo o que fiz foi lutar por mim.
Peço desculpa de todas as minhas imprevisibilidades, da minha frontalidade (por vezes demasiada), da minha saudável ansiedade e da minha grande ambição. Peço desculpa a todos aqueles que tentaram passar por cima de mim e a quem nunca o permiti. Sou inovadora, destemida, por vezes louca, por vezes imatura (mas muito madura ao mesmo tempo), corro riscos e meço consequências. Não tenho medo do perigo, mas preciso sempre do abraço no momento certo para me amparar a queda. Corro atrás dos sonhos e luto pelos meus objectivos. Proponho metas a mim própria. Derrubo as barreias que aparecem e não baixo os braços. Não iludo e acima de tudo não me deixo iludir. A vida para mim nunca teve o tom rosa. Não permito que me magoem. Sei saltar fora quando não me me encaixo. Sei dizer que não quando não quero. Confronto quando não acredito. Não me calo (e talvez por isso às vezes sinta na pele a discriminação da diferença).
Cresci, num mundo de desigualdades, evidenciando sempre a minha visão de igualdade perante o outro. Nunca olhei um homem como diferente (talvez por isso a minha lista de amigos seja mais masculina, mas as mulheres que dela fazem parte são poderosos exemplos).
Nunca me considerei feminista... nunca tive paciência e sempre tive pavor aos extremismos, radicalismos e "terrorismos", a que muitas pessoas apelidam de "defender os seus direitos". Talvez porque nunca tenha sentido os meus direitos negligenciados ou talvez porque sempre enfrentei as situações de igual para igual, tal como elas são, fosse um homem ou uma mulher.
Dou valor às luta que as mulheres travaram no passado, porque sem elas muito provavelmente eu não seria quem sou hoje e não olhava desta forma para o mundo.
Mas, não vamos culpar os homens quando a culpa não é deles. A culpa é da sociedade em que crescemos que sempre lhes deu mais asas para voar, mais estatuto, mais poder e mais dinheiro ao final do mês.
Não me digam que as mulheres não são capazes! Porque não está em causa o ser mulher... está em causa a personalidade, a capacidade, a independência, a liberdade, a competência, a esperança, o profissionalismo, a estabilidade, os valores e a educação.
Quando a mentalidade mudar, talvez os géneros deixem de ser desiguais.
A todas as mulheres lindas, maravilhosas e poderosas que conheço. Às mulheres que levantam a cabeça todos os dias e olham de igual para igual para o outro. A todas aquelas mulheres que acreditam nelas e têm consciência de quem são e do seu valor. Porque não é uma questão de géneros, mas sim uma questão de mentalidades!
E, que para a mulher o seu dia não seja apenas o 8 de março, mas todos os da sua vida.
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MF
28 de fevereiro de 2016
"Todos nós conhecemos pessoas extremamente confiantes que não têm o menor direito de se sentir assim. Todos nós conhecemos pessoas que seriam capazes de fazer muita coisa se confiassem em si mesmas. Como tantas outras coisas, a falta de confiança pode se tornar uma profecia que se cumpre sozinha." - Sheryl Sandberg, 2013
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MF
16 de janeiro de 2016
ser-se pequenino
há dias em que o meu sentimento de inferioridade está ao rubro. em que nada bate certo. em que a luz dá lugar à escuridão de que tanto fujo. há dias em que me sinto pequenina. esses dias frios e nostálgicos. dias em que o silêncio e sossego de casa são o meu melhor aliado. dias em que um livro e um chá quente me bastam. dias em que o pensamento vai e vem sempre do mesmo sitio. são dias em que tu não sais da minha cabeça. dias em que o teu abraço é suficiente. o cheiro leve a ti. em que o teu sorriso seria capaz de mudar tudo.
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MF
30 de dezembro de 2015
saudades
tenho saudades dos teus beijos, dos teus abraços (que são os melhores do mundo).
tenho saudades do teu cheiro.
tenho saudades daquele sorriso que tu bem sabes fazer.
tenho saudades de adormecer nos teus braços.
tenho saudades de dormir agarradinha a ti, todas as noites e de acordar ao teu lado.
tenho saudades dos fins de semana de amor, passados na cama.
tenho saudades das indiretas e do teu péssimo feitio.
tenho saudades de dizer baixinho, no teu ouvido, que te amo.
tenho saudades tuas, sempre, meu amor.
tenho saudades do teu cheiro.
tenho saudades daquele sorriso que tu bem sabes fazer.
tenho saudades de adormecer nos teus braços.
tenho saudades de dormir agarradinha a ti, todas as noites e de acordar ao teu lado.
tenho saudades dos fins de semana de amor, passados na cama.
tenho saudades das indiretas e do teu péssimo feitio.
tenho saudades de dizer baixinho, no teu ouvido, que te amo.
tenho saudades tuas, sempre, meu amor.
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MF
A
voltei à escrita, às linhas infindáveis sobre ti. às palavras trocadas sem sentido. às frases contraditórias que se tornam certas passado um tempo. às lágrimas que rolam cara abaixo quando penso em ti e no quanto fomos felizes.
voltei aos pensamentos de esperança...à esperança de que nunca é o verdadeiro final. porque, sejamos sinceros, esta história nunca terá um final, pelo menos um desses finais banais dos contos de fadas. e, nós também não queremos dar-lhe um final, seja ele qual for.
voltei às noites em branco, quando as palavras melhor fluem e as recordações assombram. quando os pensamentos se tornam confortantes porque consigo finalmente dormir.
voltámos ao antes...porque antes eu também não imaginava este hoje. e continua a ser essa a minha esperança, que daqui a uns tempos,tudo volte ao antigamente.
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MF
28 de dezembro de 2015
percebendo o que não se percebe
por vezes, enfrentamos o que julgávamos ser impossível. aquilo que pensávamos que não nos iria nunca acontecer. metemos o pé em território desconhecido (mesmo quando outrora o chamámos "casa").
metemos-nos em certas situações e temos de aprender a sair delas, a bem ou a mal. com feridas ou sem elas, temos de sair. fazemos-nos de fortes! um sorriso na cara, escudo protector num braço e espada na outra, e lá vamos nós. mantemos uma distância de segurança e estamos prontos para a guerra. mesmo que por dentro seja uma reviravolta de emoções, que o nosso pensamento seja um turbilhão de ideias, que as borboletas na barriga não nos larguem e as nossas mãos tremam e a voz gagueje. mas o que interessa é que nada disto se perceba... tudo isto só se pode passar na nossa cabeça. na hora H lá estamos nós...peito cheio, uma lufada de ar e gueeeeerra. e, depois sai tudo ao contrário! O inimigo baixou a guarda e está inofensivo, fazendo de conta que não existe um conflito. (pensamos que das duas uma...ou estamos a ficar paranóides...ou o outro lado ficou bipolar!). mas não...durante umas horas baixamos a guarda também... e os sentimentos voltam, mas nós não queremos e não podemos deixar. não dá, não dá mais. temos que ser fortes, porque nunca sabemos quando ele vai jogar uma carta escondida na manga e ganha mais uma batalha. e, nós não queremos que ele ganhe, de novo. temos de ser fortes, fingirmos-nos de fortes! e...ao fim...não percebemos...se ficamos...se vamos...se queremos ficar e se querem que fiquemos. não nos percebemos nem o percebemos ...também não fazemos perguntas...ficamos no silêncio...até ao próximo combate.
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MF
13 de dezembro de 2015
"No início a ausência física é tramada. São os cheiros que demoram a desaparecer, alguns objectos esquecidos e um vazio que não pára de crescer. Onde antes havia tanto, parece haver pouco mais do que nada. Só que nesta fase ainda queremos acreditar que tudo se vai recompor, porque períodos difíceis fazem parte da vida de todos os casais. E mesmo quando começamos a sentir que não tem mais volta, não queremos largar, deixar ir. Forçamo-nos a pensar que ainda é possível começar de novo e fazer diferente, desde que seja com aquela pessoa. Não conseguimos deixar partir, porque deixar partir é perdoar e perdoar leva realmente muito tempo.
Amar deveria ser aceitar que o outro precisa de ir e não voltar. Precisa de ir para ser feliz e nós não queremos ser responsáveis por essa infelicidade. Se dói, é melhor deixar partir. Se não podes ser quem és, é melhor deixar partir. Se não for recíproco, é melhor deixar partir. Se choras mais do que sorris, é melhor deixar partir. Simplesmente deixa ir.
E o tempo vai mostrar aquilo que não quiseste ver. Vai mostrar-te que também não estavas feliz, só não estavas pronta para abdicar daquilo que julgavas possuir, que julgavas ter, que julgavas ser teu. O nosso coração muitas vezes prefere viver na ilusão a ter de deixar de amar, a deixar a vida seguir. Simplesmente deixa ir."
#MariaCapaz: http://mariacapaz.pt/cronicas/e-depois-do-adeus-ou-como-passar-por-uma-separacao-e-sobreviver-para-contar-por-sofia-arriaga/view-all/
#MariaCapaz: http://mariacapaz.pt/cronicas/e-depois-do-adeus-ou-como-passar-por-uma-separacao-e-sobreviver-para-contar-por-sofia-arriaga/view-all/
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MF
8 de dezembro de 2015
lembrei me de ti
hoje lembrei me de ti. lembrei-me dos teus olhos profundos. dos teus lábios suaves quando tocavam a minha pele. do teu abraço, aquele que é o meu preferido. lembrei me do teu sorriso, que sempre me provocou borboletas na barriga. lembrei-me de nós e de como tenho saudades dos dias bons.
depois, desci à terra... não estavas lá.. está frio no teu lugar... tornámos-nos dois corpos vazios. tornámos-nos um copo meio cheio de nada. somos desconhecidos no nosso próprio amor.
quero-te de volta, quero-te de volta a nós, de volta a casa! Quero-te onde nunca devias ter saído. Quero-te meu, para (e como) sempre.
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MF
28 de novembro de 2015
é tarde
pedaços de ti.
pedaços de nós.
porque te esqueces de aparecer?
porque é que os dias contigo são cada vez mais escassos?
porque é que o teu sorriso desvaneceu?
porque é que o teu abraço demora a chegar?
(saudades nossas.)
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MF
25 de novembro de 2015
lições
és uma lição de vida.
quando nos cruzamos não consegui perceber as ambivalências e contradições que te invadiam. não conseguia chegar ao teu intimo e conhecer os teus fantasmas, reconhecer os teus medos. tornaste-te defensivo. não me deixavas conhecer-te. tentaste amedrontar-me. tinhas medo que (também eu) me aproximasse demais. que te conhecesse demais. que te quisesse mudar. e, que depois fosse embora. e, vim. vim, porque tinha de ser. não dependeu de mim. tu sabes.
mas não, nunca te quis mudar. acho que o percebeste a tempo.
não devemos mudar o que é genuíno. algo tão essencial para nós como o ar que respiramos. a tua frieza e amargura. a tua raiva e distanciamento. a tua hostilidade.
não mudes, por favor. porque é tudo isso que te defende, que te faz lutar por ti, por aquilo que és. és tu quem te protege.
mas, é claro, que todos esses pedaços de ti também te magoam. tentas proteger-te ao mesmo tempo que te magoas. cuida de ti. todos os dias.
prometo que um dia escrevo uma história sobre (para) ti.
(Ao R, pelas lições, pela história de vida, pelas recordações. pelas saudades. pelas marcas)
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MF
16 de novembro de 2015
sobre nós, outra e outra vez
eu nunca me cansei de escrever sobre nós.
(...)
Desculpa! Desculpa tudo aquilo que eu não disse. Desculpa tudo aquilo que eu não fiz. Desculpa tudo aquilo que eu podia ter feito, mas não fiz. Desculpa, desculpa, só ter percebido quando partiste. todos os dias te pedi mais, exigi demais, massacrei de mais. Nunca estavas no sitio certo, à hora certa, com o abraço necessário. Nunca estavas onde eu queria que estivesses. Nunca dizias aquilo que eu precisava (queria) que dissesses. Nunca estavas lá. Mas...
Mas tu estiveste sempre lá. Mesmo quando não dizias o que eu queria ouvir. Mesmo quando não fazias aquilo que eu esperava (queria) que fizesses. O certo é que estavas lá... e, isso eu só percebi quando partiste.
Levaste com tudo. com as neuras. com os dramas e o mau humor. com as frustrações. levaste com tudo...e continuavas lá. Mas, (mais uma vez) não era suficiente (para mim). Eu pedia mais, exigia mais. Mas, não dava nada, não retribuía nada, não partilhava nada. E, hoje, quando saíste porta fora, eu fiquei sozinha. sem chão. sem rumo. sem porto de abrigo. sem ti. porque sempre quis mais. porque sempre quis mais de tudo, porque dei mais de mim a tudo, menos a ti. porque hoje, quando partiste, já era tarde.
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Margarida*
18 de fevereiro de 2015
fui eu quem...
sabes quando a saudade é tanta que transborda? quando já não consegues esconder que há outro alguém que te faz falta? esse outro alguém que ficou lá atrás, que devia ter ficado esquecido, lá atrás, no passado?
fazes-me falta. fazes-me falta todos os dias. e, o pior nem é isto. o pior é que fui eu quem te mandou embora. fui eu quem te afastou. fui eu que te disse que sim quando te devia ter dito não. Fui eu que não disse "fica" quando queria que ficasses. Fui eu quem te deixou ir quando me perguntaste se eu queria que ficasses. Fui eu quem te deixou ir, que não te agarrou. fui eu que nunca lutei por ti. Fui eu quem nunca pensou que fosses realmente embora...
Será que pensas em mim, tantas vezes quanto eu penso em ti? Será que te lembras do meu riso quando eu era tão feliz contigo? Será que também tens saudades?
fazes-me falta. fazes-me falta todos os dias. e, o pior nem é isto. o pior é que fui eu quem te mandou embora. fui eu quem te afastou. fui eu que te disse que sim quando te devia ter dito não. Fui eu que não disse "fica" quando queria que ficasses. Fui eu quem te deixou ir quando me perguntaste se eu queria que ficasses. Fui eu quem te deixou ir, que não te agarrou. fui eu que nunca lutei por ti. Fui eu quem nunca pensou que fosses realmente embora...
Será que pensas em mim, tantas vezes quanto eu penso em ti? Será que te lembras do meu riso quando eu era tão feliz contigo? Será que também tens saudades?
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MF
11 de dezembro de 2014
hoje estou assim,
Sabes quando uma parte de ti está lá e a outra parece que fugiu a sete pés? Sabes quando te sentes tão dividido que não sabes para onde ir, sequer? Sabes quando sentes que tens mil e uma coisas para fazer mas nem saber por onde começar? E, quando tens o coração em pedaços, olhas em volta, e não vês ninguém capaz de o reparar? Pois é. Hoje estou assim.
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MF
14 de junho de 2014
alguns pontos e incertezas
São escassas as vezes em que, agora, escrevo pequenos excertos de histórias ou meros recados dirigidos a alguém desconhecido, sem nome, sem identidade, sem morada de destinatário. Não é que veja desnecessidade de eliminar mágoas e fantasmas que sobressaltam, diariamente, no meu intimo. Simplesmente não o faço. Recorri, ultimamente, ao "falar para as paredes".
Acho que elas me ouvem, mesmo sem uma única resposta darem. Mesmo sem manifestações de raiva, de medo ou de pré-aviso. São silenciosas, são calmas e frias. Por vezes é disto que precisamos: alguém que nos escute, que apenas ouça os nossos desabafos sem fim, sem dizer uma palavra, que seja frio o suficiente, que seja forte a valer, que esteja lá, mesmo que em silêncio, mas que esteja, de corpo presente, mesmo que silencioso. Alguém que não apresente criticas ou juízos de valor, alguém que apenas oiça o que nos vai na alma e no coração. Só isso, alguém. Nem que seja mesmo só uma parede fria!
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Margarida*
27 de fevereiro de 2014
19 de fevereiro de 2014
trocadilhos sinceros
eu gosto de sorrisos rasgados, de almas cheias e de pessoas alegres. preciso do som do mar a ecoar na minha cabeça e do suar do vento forte, que bate na minha janela, nos dias de inverno. preciso de coisas cheias. estou farta do vazio. estou cansada do tédio, da rotina dos dias e da ilusão das pessoas. eu gosto do sol, da chuva, do cheiro a terra molhada, gosto de olhar o céu estrelado, ou correr sem parar até onde me apetece. gosto de musica, muita e boa musica para os meus ouvidos. amo sentimentos, aqueles puros sem teias de aranha no sotão e sem medos. gosto de pessoas que dizem o que têm a dizer, que não escondem ideias e que lutam até ao fim. gosto da persistência dos humanos. gosto da teimosia consistente e acertada que os move. gosto do amor, gosto tanto dele. faz-me sonhar e, quase que consigo voar. gosto da água límpida e de uma bela tarde à beira rio. preciso de olhares, daqueles que penetram por nós a dentro e quase que nos lêem a vida. gosto de palavras, daqueles que por muito que sejam ditas, ouvidas ou escritas. não se gastam. continuam omnipotentes, cheias de garra e prontas para dar vida a mais uma data de histórias. é isso, eu adoro boas histórias. "E foram felizes para sempre". e, o "sempre" será para sempre o que mais me intriga, por não saber se existe mesmo. mas, nem essas dúvidas me fazem deixar de o amar. gosto de dormir, gosto e preciso. não gosto do tempo porque ele voa, mesmo não tendo asas. mas, admiro o barulho dos ponteiros e a forma como a máquina do antigo relógio funciona. gosto do mar. ai, o mar, é talvez aquilo que mais gosto. como as marcas e as memórias. gosto das saudades, mas não gosto de as sentir. apenas recordá-las momentaneamente e, depois, pensar que tudo continua lá, no mesmo sitio de sempre.
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Margarida*
reticências
só queria poder falar-te, sabes? dizer-te que as coisas não estão bem assim. que nem sempre somos nós os donos da razão e que geralmente as coisas não correm como queremos. queria poder dizer-te isto, sem medo. sem o medo forte de te perder...para sempre.
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Margarida*
18 de fevereiro de 2014
eu, o outro e o amor
lembro-me de ter apreendido, algures numa aula sobre o amor, que ele (esse complexo sentimento) nasce connosco, desenvolve-se connosco e que nunca morre em nós. o amor cresce connosco, em nós, por nós e para nós. esperamos, dos outros, o amor que estamos dispostos a conceder-lhe. esperamos dos outros a atenção, o respeito e o cuidado que também lhes damos (ou que deveríamos dar, mas também não damos...). esperamos que o outro tenha sempre um momento, no seu dia, guardado para nós, como nós temos sempre espaço, na nossa agenda para ele. esperamos, incessantemente que esse outro, independentemente de todos os trambolhões que já deu, cuide de nós. porque nós também cuidamos dele (ou queremos cuidar e ele não permite). esperamos, como se o dia não tivesse fim, do seu abraço. esperamos, noite fora, pelo seu olhar tímido, pela sua voz ofegante, pelo seu cheiro irresistível. mas, há dias e noites em que esse abraço tão desejado, essa voz tão penetrante e esse cheiro tão característico acabam por não chegar...
esperamos do outro, porque ele nos conhece melhor do que qualquer outro, o aconchego e abrigo aos nossos medos. mas, nem sempre, esse outro lá está, da mesma forma, para nós.
é só, por agora.
esperamos do outro, porque ele nos conhece melhor do que qualquer outro, o aconchego e abrigo aos nossos medos. mas, nem sempre, esse outro lá está, da mesma forma, para nós.
é só, por agora.
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Margarida*
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